1 Breve história da autopublicação nas grandes editoras

Um registro de como a autopublicação vem ganhando um importante espaço nos últimos anos, inclusive dentro das grandes editoras brasileiras e estrangeiras.

Claudio Soares

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Há pouco mais de 5 anos, quem acharia razoável ver uma grande casa editorial se envolvendo com a venda de serviços de autopublicação diretamente para o autor independente? Certamente, alguém que propusesse essa ideia seria alvo de boas risadas. Se por um lado, naquela época, esse “movimento” estava fora de questão, por outro, as discussões sobre esse tema cresceram bastante nos últimos anos e, muito rapidamente, entraram na agenda das editoras.

OS VÁRIOS FUTUROS DO LIVRO

Em setembro de 2010, eu fui curador de um seminário que discutiu a autopublicação em seus vários aspectos de implementação, dos e-books à impressão sob demanda. O evento foi patrocinado por uma grande empresa do ramo de impressoras e um dos maiores grupos editorais brasileiros.

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Em 2010, o Grupo Ediouro e a HP do Brasil, organizaram o seminário Os Vários Futuros do Livro. Curadoria do e-publisher Cláudio Soares.

 O palestrante principal do seminário foi do americano Mark Coker, CEO da Smashwords, empresa listada pela revista Forbes entre as 100 empresas americanas “mais promissoras”, e uma das gigante do setor de autopublicação (self-publishing). O título da palestra de Coker foi “How indie ebooks will transform future of publishing”, ou, em tradução livre, “Como os e-books independentes transformarão o futuro da publicação”.

Guardem o título dessa palestra de Mark Coker, “Como os e-books independentes transformarão o futuro da publicação”, porque mais à frente, no final do artigo, voltaremos a ele, com números.

O mais interessante é que apesar do tema principal, o público que participou do seminário era formado, em sua grande maioria, por editores e outros profissionais de algumas das principais editoras brasileiras.

A presença de Mark Coker (CEO da Smashwords) no Brasil, em setembro de 2010, falando dos benefícios da autopublicação para os editores brasileiros, pode ser considerado um importante marco do avanço da autopublicação no Brasil.

Era de se esperar, talvez, uma presença mais representativa dos autores independentes. Mas, não foi o que aconteceu. Notamos que a presença (massiva) dos editores, de certa forma, indicava a preocupação deles com os rumos que o mercado editorial brasileiro tomava.

O mercado editorial, no Brasil e no mundo, principalmente com o advento da tecnologia digital, move-se em ondas.

A presença de Mark Coker no Brasil (foi a sua primeira viagem internacional como palestrante da Smashwords), falando dos benefícios da autopublicação para os editores brasileiros, pode ser considerado um importante marco do avanço da autopublicação no Brasil.

Naquela época, eu era e-publisher de uma grande editora brasileira, precursora, ela mesma, na oferta de serviços de impressão sob demanda e produção de e-books para autores independentes, pequenas e médias editoras. Tudo isso através de consultoria e parcerias estabelecidas com empresas importantes do setor (tais como a própria Smashwords e a Author Solutions Inc).

 

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BREVE HISTÓRIA DA AUTOPUBLICAÇÃO NAS EDITORAS

  1. 2008: A HarperCollins lançou o Authonomy em 2008. O site solicita que autores inéditos ou independentes submetam seus originais para que outros membros do site possam lê-los on-line.
  2. 2009: O lançamento da WestBow Press, uma parceria da Thomas Nelson com a Author Solutions Inc (ASI), empresa especializada em fundar empreendimentos centrados na autopublicação.
  3. 2009: Pouco tempo depois, a Harlequin, que em parceria com a ASI, lançou a Harlequin Horizon.
  4. 2010: Hay House Publishing anunciou sua iniciativa de autopublicação, a Balboa Press, outra solução via ASI.
  5. 2011: Peguin Book Group, uma das cinco maiores editoras do mundo, anuncia a Book Country, em modo “beta”. Um empreendimento que mistura uma comunidade no “estilo” Wattpad, com uma plataforma editorial semelhante ao KDP e ao Createspace, ambos da Amazon.
  6. 2012: Pearson compra Author Solution Inc e a incorpora ao Penguin Book Group (também controlado pela Pearson). Para resolver a redundância de plataformas sob o mesmo teto, Book Country agora é uma comunidade de autores e leitores além de uma plataforma editorial exclusivamente de e-books. A ASI lança o Booktango para atender também impressos sob demanda.
  7. Pouco tempo antes da sua aquisição pelo grupo Pearson/Penguin, a ASI havia fechado acordo com a Simon & Schuster para rodar a sua iniciativa de autopublicação, a Archway Publishing, adicionando ao portfolio de parcerias as iniciativas operadas para a Writer’s Digest (Abbott Press), Berrett-Koehler (Open Book Editions), Guideposts (Inspiring Voices) e LifeRich Publishing.

A SEGUNDA GERAÇÃO DA AUTOPUBLICAÇÃO NO BRASIL

Tudo isso, no entanto, já faz parte da história.

Agora, estamos vivenciando a segunda fase (ou geração) dessa (r)evolução, com a chegada, ao Brasil, das grandes plataformas digitais de autopublicação como o Kindle Direct Publishing, Kobo Writing Life, Apple iBooks e Google Play Books.

Além dessas (é importante lembrar), o Grupo Saraiva, líder no segmento de livrarias, também lançou a sua própria plataforma digital de autopublicação, a Publique-se.

No Brasil, além do Grupo Ediouro, que desde 2009, oferece ao mercado as soluções de autopublicação e impressão sob demanda, através das empresas Singular Digital e Universo do Autor, a editora portuguesa Leya, que tem filial no país, apresentou a Escrytos em 2012, plataforma que permite a qualquer pessoa autopublicar seus originais em formato digital, e comercializá-los nas principais lojas on-line de todo o mundo.

Nos EUA, estima-se que em 2020, 50% dos e-books à venda no mercado serão de autores autopublicados

Atualmente, no Guia da Autopublicação, estamos produzindo um “dossiê” sobre as principais opções de autopublicação disponíveis atualmente no Brasil, para os autores e editores independentes. Já listamos mais de 20 soluções, nas mais variadas vertentes da autopublicação, dos impressos, aos digitais, opções pagas e gratuitas, que atendem a todos os gostos e estilos dos autores.

Ess projeto se torna ainda mais interessante, porque não estamos vivendo mais do que o “nascimento” da autopublicação no Brasil. Historicamente, sabemos, a autopublicação está aí desde sempre. Mas, agora, parece ter atingido o estágio de amadurecimento que pode significar (por causa de vários outros fatores) a explosão desse segmento no Brasil.

O QUE DEVEMOS ESPERAR DA AUTOPUBLICAÇÃO NOS PRÓXIMOS ANOS

Todos nós aqui no “Guia” acreditamos que não demorará muito para que outras grandes editoras brasileiras comecem a criar as suas próprias “frentes” de autopublicação. Ganhará o mercado como um todo, ganharão as editoras, os autores e principalmente os leitores.

Nosso papel, através do Guia da Autopublicação, é proporcionar o bom fluxo de ideias e informações, que possibilitem ao autor e ao editor independente ter acesso às boas práticas da produção, distribuição e comercialização de livros. Queremos também manter um fecundo e produtivo diálogo com as editoras “tradicionais”.

Prevemos também que o número de e-books disponíveis para os leitores brasileiros só crescerá, significativamente, quando a autopublicação acelerar o seu processo de estabelecimento.

Nos EUA, estima-se que em 2020, 50% dos e-books à venda no mercado serão de autores autopublicados (lembram-se do título da palestra do Mark Coker?).

Aos editores “tradicionais” que ainda não estão por dentro das novas oportunidades da autopublicação, sugerimos que consultem os projetos que listamos nessa matéria.

Nos próximos anos, uma boa parte do faturamento, não só das editoras, mas também de empresas como Amazon, Kobo, Saraiva, Cultura, etc, virá da autopublicação. Anotem!

Nosso papel, através do Guia da Autopublicação, é, como afirmamos em nossa apresentação, proporcionar o bom fluxo de ideias e informações, que possibilitem ao autor e ao editor independente ter acesso às boas práticas da produção, distribuição e comercialização de livros.

Mas também queremos dialogar (um fecundo e produtivo diálogo) com as editoras “tradicionais” sejam elas de pequeno, médio ou grande porte.

Portanto, seja você um autor ou editor independente, seja você  (por quê não?) um editor “tradicional”, proprietário ou funcionário de uma das casas editorias brasileiras: seja bem-vindo, pode contar com o nosso Guia da Autopublicação (ele também é seu), sempre que precisar!

 


Para saber mais

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