9 Nova regra de ‘Netflix para livros’ enfurece escritores independentes

A forma de pagamento "imprevisível" da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados.

O escritor inglês Dave Robinson, 50, é um dos leitores que aderiram a um novo tipo de serviço para consumo de livros digitais que pode revolucionar o mercado. Assinou o Kindle Unlimited, que a varejista on-line Amazon lançou no último dia 18 de julho, apenas nos EUA. Por US$ 9,99 (R$ 22,26) ao mês, o leitor tem acesso a mais de 600 mil títulos.

Para o inglês, a vantagem é a variedade de séries de ficção científica. “Mesmo a quatro dólares por um livro impresso, uma série inteira de oito volumes acaba ficando cara. Por dez dólares eu posso ler tudo e ainda tentar outros”, escreve ele num fórum dedicado a discutir e-books.

A Amazon não revela quantos leitores já fizeram a assinatura nem quando o serviço deverá vir ao Brasil. As iniciativas mais antigas na área (Oyster Scribd), nos EUA, são de 2013. A mudança dos modelos de negócio está na remuneração às editoras e aos autores, que deixam de ganhar por livro comprado e passam a receber por livro lido. No caso da Amazon, o leitor tem de atravessar pelo menos 10% do exemplar para que os autores tenham retorno.

A discórdia cresceu especialmente entre independentes, segundo o fundador da Smashwords, empresa que distribui e-books autopublicados para lojas virtuais. Mark Coker, 49, diz que a forma de pagamento “imprevisível” da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados. A Amazon remunera os pequenos por meio de um fundo global variável. Os autores recebem uma porcentagem a partir do montante total desse fundo. A varejista também exige exclusividade.Já os grandes editores recebem o valor sobre o preço de capa do livro vendido.

No Brasil, por enquanto, o momento das editoras ainda é de observação do modelo. A Nuvem de Livros e a Árvore de Livros são iniciativas com estratégias financeiras mais amigáveis às editoras: a remuneração não está condicionada à leitura. A Nuvem paga autores e editoras um valor mensal, enquanto a Árvore conjuga empréstimo e número de exemplares.


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