2 Sejam bem-vindos ao Guia da Autopublicação

A autopublicação não é propriamente uma novidade. Lima Barreto pagou do seu próprio bolso a primeira edição do seu “Triste fim de Policarpo Quaresma", Nietzsche fez o mesmo com "Assim falou Zaratrustra" e Lewis Carroll, com "Alice no país das maravilhas".

Também experimentaram a autopublicação outros autores consagrados como Marcel Proust (“Em busca do tempo perdido”), James Joyce (“Ulisses”) e Dostoievisk, que pediu dinheiro a seus amigos para custear seus livros, o que até poderia torná-lo, nesse aspecto, uma espécie de precursor do crowdfunding (financiamento coletivo).

Desde o momento em que passaram a existir autores e leitores, a autopublicação existiu.

Mas, nem sempre foi fácil autopublicar livros.

Houve uma época (ou várias) em que livros foram proibidos, censurados e destruídos.

Um livro é sempre um símbolo que designa um signo, é algo que representa outra coisa para alguém (o que representa?, que coisa é essa?, a quem interessa?).

Ideias são a principal substância da qual os livros são feitos.

John Milton, o poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês,que  escreveu e autopublicou Areopagítica, um eloquente opúsculo, em 1644, como uma das mais contundentes e apaixonadas defesas filosóficas do princípio e do direito à autopublicação e à liberdade de opinião e de expressão, parece jamais ter admitido livros omissos.

Muito menos a omissão de livros.

Desde o momento em que passaram a existir autores e leitores, a autopublicação existiu. Mas, nem sempre foi fácil autopublicar livros.

Desde sempre, autores optaram por (ou decidiram, ou se viram obrigados a) apresentarem uma obra ao público, independentemente da intermediação de um(a) editor(a). Os motivos pelos quais um autor decide autopublicar uma obra foram e poderão ser vários. Hoje, muitos outros motivos podem ser acrescentados à lista.

O estágio atual da autopublicação no Brasil, com suas várias opções e diversas empresas fornecendo soluções (estamos preparando um dossiê sobre o tema, que publicaremos ainda este mês) justificou a criação desse Guia da Autopublicação, cujo objetivo primordial é reunir as principais vozes que tratam da autopublicação no Brasil.

POR QUÊ UM GUIA?

No Guia da Autopublicação poderá ser encontrada uma série de dicas do mundo real de tal forma que o autor independente obtenha a orientação necessária para posicionar, publicar, promover, distribuir e vender sua obra autopublicada nos formatos impresso e digital (além de evitar os erros mais comuns observados entre os autores independentes inexperientes).

Já há alguns anos, eu tenho falado da autopublicação não apenas para autores e editores independentes, mas também para editoras tradicionais. Eu acredito que a autopublicação pode ajudar também a todos os tipos de empreendimentos editoriais, das pequenas empresas, passando pelos grandes grupos editoriais.

Há 4 anos, eu fui o curador de um seminário, talvez o primeiro no Brasil desse tipo, que discutiu a autopublicação (e a produção de livros digitais) de forma ampla, trazendo a visão de autores, de empresas do setor, brasileiras e estrangeiras.

Muitas coisas aconteceram desde então, que justificam este guia.

ESTÁGIO DA AUTOPUBLICAÇÃO NO BRASIL

Seja pela tecnologia digital (como remédio, em doses “cavalares”, à inércia e atrofia), seja pela falta de espaço no mercado literário tradicional, que pouco cresceu nos últimos anos, a autopublicação começa a ser percebida a partir do faturamento e investimentos crescentes no setor.

A autopublicação no Brasil (e aqui estaremos sendo bastante conservadores em relação aos números) já responderia por pelo menos 10% do mercado. Mas, isso apenas no que pode, muito fragilmente, se registrar. É inegável, por exemplo, a quantidade imensa de profissionais que, por diversos motivos, autopublicam e-books e os distribuem, por exemplo, diariamente, através das mídias sociais.

A participação ainda pouco representativa da autopublicação e dos e-books no faturamento total das editoras (o faturamento com e-books cresceu 225% em um ano, segundo dados da mais recente Pesquisa Fipe de Produção e Vendas do Setor Editorial) não espelha a demanda reprimida do mercado e as potenciais consequências.

A partir do momento em que escritores passam a disponibilizar suas obras no formato digital, a preços menores, diretamente nas lojas on-line, ou em seus próprios sites, a autopublicação esboça se tornar um fenômeno, o que já acontece em outros países.

Escritores independentes movem um segmento que cresceu bastante nos últimos anos, mas que ainda representa uma parcela mínima do mercado como um topo. O que indica que ainda há um potencial de crescimento (e faturament0) enorme. E esse crescimento passará, inevitavelmente, pelo amadurecimento do segmento de autopublicação. Ao reescrever os rumos do mercado, a autopublicação impõem a editoras e livrarias adaptações às novas demandas, ao novo perfil de leitor e às novas formas de produção flexibilizadas pelos avanços tecnológicos.

A autopublicação tende a avançar bastante no Brasil, pois com ela, o autor pode estabelecer quanto quer lucrar com os direitos autorais.

As editoras tradicionais que já perceberam um nicho crescente no mercado literário independente, estão tentando se adaptar à nova realidade digital. O total cada vez mais expressivo de livros autopublicados no Brasil, embora retrate o crescimento da autopublicação, ainda está longe dos milhões de dólares movimentados pelo mercado americano, onde mais da metade dos títulos editados é independente e os autores “indies” (independentes) já conseguem, em média, faturar mais do que os autores publicados por editoras líderes de mercado.

AS VÁRIAS FACES DA AUTOPUBLICAÇÃO

O Brasil, não temos dúvidas, tem imenso potencial para desenvolver o setor literário independente, mas ainda se trata de um negócio novo e embrionário, que requer adaptações. Mas, não são raros os casos de escritores independentes que foram procurados por editoras tradicionais após o estouro de vendas em suas publicações (também independentes) e das editoras que estão, elas mesmas, criando suas plataformas próprias de autopublicação.

A flexibilização das editoras independentes também funciona como chamariz para escritores em busca da autopublicação. A editora procura por títulos em sites de autopublicação, o que estreita a relação com escritores autopublicados. A ideia é adaptar-se ao projeto e viabilizá-lo.

O crescimento do mercado de autopublicação, pode parecer não ser tão atrativo para as editoras tradicionais, que tendem a buscar publicações que se tornem campeãs de venda e com isso os autores menos conhecidos são deixados de lado. Mas, já se nota que existe a necessidade das editoras em dar mais espaço aos escritores brasileiros. Hoje, a maioria dos títulos lançados no Brasil são estrangeiros, reduzindo o catálogo de nacionais nas editoras. Em um mercado global, no qual as empresas se diferenciam por suas características locais, isso pode representar a morte de muitas editoras.

A autopublicação também vem sendo usada também como forma de chegar aos leitores sem intermediários e de quebra servir como “cartão de visitas” às editoras atentas à nova forma de publicar. Hoje, de cada 10 escritores que desejam publicar no Brasil, apenas um consegue por meios tradicionais, ou seja, por intermédio de editoras.

A autopublicação também é uma opção para aqueles autores que desejam imprimir poucos exemplares com qualidade de uma editora de primeira grandeza. As editoras que estão atentas às mudanças do mercado, buscam escritores de sucesso que vem do mercado independente. O canal entre escritor e leitor está mais aberto, assim como tende a ser a relação entre autor e editora.

SEJAM BEM-VINDOS!

Como se vê, não faltará assunto para debatermos aqui no Guia da Autopublicação. A propósito, esse debate poderá (e deverá) ser estendido também para os nossos diversos canais nas mídias sociais (todos eles reunidos neste portal).

Queremos, com prazer, dar boas vindas aos autores e aos editores independentes.

Na verdade, queremos dar boas vindas a todos os profissionais do livro, todos vocês que ajudam a construir essa indústria, tão importante, da produção à comercialização do livro: o povo do livro.

Vivemos tempos de mudanças. Tempos de desafios e oportunidades. Mas, acima de tudo, tempos realmente interessantes e instigantes.

Que seja então dado por inaugurado o nosso Guia da Autopublicação.

Pode entrar, a casa é sua.

Acesse, colabore, participe e compartilhe!

 


O Guia da Autopublicação nas mídias sociais:

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